Transtorno alimentar: como cozinhar te ajuda a manter uma boa relação com a comida


O transtorno alimentar se caracteriza como um distúrbio psiquiátrico que age contra os hábitos alimentares comuns, tornando-os não saudáveis. Seja por comer demais, ou de menos, os transtornos ou distúrbios alimentares são condições sérias que, sem o acompanhamento de uma série de profissionais da saúde, podem ser fatais. 

Existem diversos motivos pelo qual alguém desenvolve um distúrbio alimentar. Segundo a nutricionista do Programa de Transtornos Alimentares do IPq-USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo), Julie Soihet, ele pode estar associado a traumas na infância (bullying por exemplo), doenças psiquiátricas, presença de transtorno alimentar na família, abuso sexuais e entre outras questões. 

Outro fator bem presente quando o assunto é transtorno alimentar são as redes sociais. Em alguns casos, a busca pelo padrão ideal inatingível pode acarretar em medidas severas como as dietas restritivas. Soihet deixa claro que as dietas são a porta de entrada mais comuns para um transtorno alimentar, desde anorexia, que envolve a falta de alimentação até a compulsão alimentar, que ocorre como um efeito rebote da dieta restritiva. 

Os transtornos alimentares são bem democráticos nas escolhas das vítimas, ou seja, homens, mulheres, idosos, crianças e adolescentes, todos podem desenvolvê-los. No entanto, as mulheres têm 9 vezes mais anorexia e bulimia e 2 vezes mais compulsão alimentar quando comparado com os homens. Isso ilustra bem como os padrões de beleza irreais podem ser cruéis com a parte feminina da sociedade

BUSCA PELO EQUILÍBRIO

Existem algumas maneiras de manter uma relação saudável com o seu corpo e com a comida. “Evitar a prática de dietas, encontrar alguma atividade física que traga sensação de prazer e autocuidado, evitando com que seja apenas uma forma de perder calorias, planejar momentos de prazer que envolvam comida. Além disso, é importante estar sempre em conexão com a sua saúde mental e buscar ajuda psicológica se necessário”, exemplifica Soihet. 

COLOQUE A MÃO NA MASSA

A nutricionista também deixa claro que fazer sua própria comida e literalmente colocar a mão na massa, pode prevenir o desenvolvimento de transtornos alimentares. Cozinhar suas refeições te aproxima do alimento e permite o envolvimento de outros sentidos do corpo além do paladar, o que proporciona uma sensação de prazer e afasta a má relação com a alimentação.

No entanto, vale destacar que, para os pacientes, se aventurar na cozinha pode ser um passo maior do que a perna. O tratamento dos distúrbios alimentares, além de ser um processo demorado e cheio de etapas e desafios, requer uma rede de apoio de profissionais especializados como nutricionista, psicólogo e psiquiatra.