Abelhas são responsáveis pela nossa alimentação; Saiba mais!


Sabe aquelas abelhas famosas pretas e amarelas? Elas, as abelhas-europeias (Apis mellifera) são as principais quando o assunto é mel. Mas esses insetos podem fazer muito mais do que isso. Veja com o AnaMaria Receitas como as abelhas influenciam na nossa alimentação e o que a extinção delas significa para a nossa vida!

Fábrica de mel

Como sabemos, as abelhas estão intimamente relacionadas à produção de mel. As grandes responsáveis por ele são as melíferas (Apis mellifera), espécie de abelhas que vivem em colmeias e funcionam exatamente do jeito que aprendemos na escola. Mas se você faltou nessa aula, calma que o AnaMaria Receitas te explica rapidamente. 

Essas espécies que vivem em colmeias são abelhas sociais. Nessa pequena sociedade temos os zangões (machos) que são responsáveis pela fecundação da rainha, as operárias (fêmeas) que são responsáveis por colocar comida no prato de praticamente todo mundo da colmeia e da rainha, a maior e mãe de todas. 

O mel entra nessa história por ser o principal alimento da colmeia. Ele é feito basicamente do néctar das flores. Esse néctar é recolhido pelas operárias, levado à colmeia e lá ele passa por um processo de maturação e concentração. Um pouco complexo para nós, mas para elas é bem natural. 

Outra coisa interessante é que o mel pode mudar de sabor. Não muito, mas dependendo da abelha e da alimentação dela, ele pode oferecer uma sensação diferente no nosso paladar. E essa questão da alimentação desses insetos está ligada à biodiversidade de cada ambiente – quanto mais flores diferentes, mais diferente será o mel. 

A vida das abelhas não é só o mel que nos favorece

Abelhas polinizadoras/ Foto: Pixabay

Claro, cada espécie tem suas características específicas. Por exemplo, as abelhas melíferas se agrupam em colmeia, são grandes produtoras de mel e ainda ajudam na polinização de algumas espécies de flores e sementes como a soja e a maçã. Mas suas primas distantes, as abelhas solitárias, são bem diferentes. 

Algumas delas não formam colmeias, logo, não produzem mel. Entretanto, elas compensam a falta do mel pela alta capacidade de polinização, afinal, elas precisam diversificar sua alimentação – e fazem isso pelas plantas. Sendo assim, por mais que a contribuição delas nem sempre esteja diretamente ligada ao consumo humano, elas são essenciais para a nossa alimentação. 

De acordo com Irina Buttoud, funcionária da FAO, vertente da ONU que trabalha com Alimentação e Agricultura, as contribuições das abelhas são essenciais para a produção de alimentos. A organização também explica que através da polinização de plantas, esses insetos enriquecem a produção agrícola que garante a segurança alimentar de alimentos com alto valor nutritivo, proporcionando também a segurança nutricional. 

Abelhas agronômicas 

De acordo com a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES, sigla em inglês) e da Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), cerca de 80% das plantas que consumimos vem das abelhas. 

E em 2018, o Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil computou a contribuição de R$43 bilhões para a agricultura brasileira graças às espécies polinizadoras. Dentre as espécies do estudo, as abelhas representam 66% dos polinizadores.

É evidente os benefícios delas na agricultura, por isso alguns lugares do Brasil e do mundo começaram a realizar a polinização assistida com o uso de abelhas. Essa técnica é basicamente um aluguel de colmeias e abelhas específicas para melhorar o cultivo de certos alimentos. Nesse caso, as polinizadoras são tão importantes quanto os insumos agrícolas. 

A bióloga pesquisadora da Universidade de São Paulo, Yara Roldão-Sbordoni, explica que, nos Estados Unidos, a apicultura gira em torno da polinização enquanto o mel fica em segundo plano. Alimentos como a amêndoa, dependem totalmente desse processo. E, em alguns alimentos em que a polinização das abelhas não são essenciais elas também regulam a qualidade e o sabor deles. 

Por exemplo, alguns cafeicultores utilizam a polinização assistida para aumentar a produtividade do produto. Porém, o que poucos esperavam é que as pequenas operadoras poderiam melhorar também a qualidade da bebida. Mestre em Ciências Ambientais, Gleycon Velozo da Silva, diz para a revista Perfect Daily Grind que graças às abelhas, registram-se frutos mais pesados, com sementes maiores, e uma maior presença de açúcares, e assim, uma melhora na qualidade da bebida. 

Obviamente o café não é o único produto que elas conseguem melhorar. De acordo com a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas, os frutos que não entram em contato com elas podem ficar menores, azedos, mais suscetíveis à deformidades, ou terem uma produção até 30% mais deficiente.

Abelhas agronômicas
Abelhas agronômicas/Foto: Pixabay

O que significaria o fim das abelhas?

Muito se fala sobre a extinção das abelhas. Sobre o mel, não temos muito o que nos preocupar, uma vez que as melíferas européias ainda estão bem presentes no mundo. 

Mas, com as suas primas distantes as coisas mudam. Sobre elas, os pesquisadores constataram que, por mais que haja um crescimento no número quantitativo de abelhas, há menos diversidade de espécies. Isso significa que ou algumas espécies são raras, ou algumas já entraram em extinção. O que quer dizer que a falta de biodiversidade pode prejudicar a produtividade de alimentos, desequilíbrio ambiental e falta de nutrientes para nós. 

O principal motivo do desaparecimento de espécies é a mudança climática do mundo e, sobretudo, o aquecimento global que acelera tudo isso. Afinal, algumas espécies não foram feitas para viver em lugares muito quentes nem muito frios, o que impulsiona o deslocamento delas que, por sua vez, pode significar um desarranjo ecológico.

Diferentes alimentações, predadores, doenças e a disputa de espaço com outras espécies pode ser extremamente perigoso para as abelhas. Fora isso, o uso indevido de agrotóxicos também é prejudicial para a biodiversidade, assim como para as abelhas. 

Enfim, alguns dizem que não sobreviveríamos sem esse inseto, o que pode ser real. Para que não precisemos saber se essa especulação é verdadeira, algumas medidas precisam ser tomadas. 

Organizações não governamentais (ONGs) como o GreenPeace, Bee or not to bee, SOS Abelhas sem ferrão e outras diversas pedem ajuda para mobilizar o governo em prol da proteção das pequenas operárias. Outras medidas, como fazendas de apicultura ecológica foram pensadas para poder manter a biodiversidade do jeito que deveria ser. Tudo isso envolve bastante logística que não seria necessária se o ser humano aprendesse a coexistir com animaizinhos tão valiosos quanto as abelhas.