Guia Prático: cuidados ao utilizar panela de pressão na cozinha


A panela de pressão é um utensílio de cozinha essencial que oferece muitos benefícios, especialmente para quem tem uma rotina agitada e precisa economizar tempo no preparo das refeições.

Ela funciona aumentando a pressão interna através do aquecimento dos alimentos e do líquido dentro dela. Esse aumento de pressão eleva a temperatura, permitindo que os alimentos cozinhem muito mais rapidamente do que em uma panela comum.

Além da economia de tempo, a panela de pressão também preserva melhor os nutrientes dos alimentos, uma vez que o tempo de cozimento é reduzido. Isso significa que vegetais, grãos e carnes podem manter mais vitaminas e minerais essenciais.

Outra vantagem é que a panela de pressão pode lidar com cortes mais duros de carne de forma eficaz, amolecendo-os rapidamente durante o processo de cozimento. Isso possibilita preparar pratos como guisados e ensopados em muito menos tempo do que em métodos de cozimento convencionais.

No entanto, é importante ter cuidado ao usar uma panela de pressão, já que o aumento da pressão pode criar um ambiente potencialmente perigoso se não for manuseado corretamente. É fundamental seguir as instruções do fabricante e estar ciente das precauções de segurança ao usar este utensílio.

O AnaMaria Receitas te ensina a como utilizar a panela de pressão com segurança e da melhor forma possível. Desde a escolha da panela até sua vida útil.

Como escolher uma panela de pressão? 

  • Tamanho: Considere a quantidade de comida que costuma preparar. Se sua família for grande, é melhor optar por uma panela maior.
  • Material: As panelas de pressão podem ser feitas de alumínio ou aço inoxidável. O alumínio é mais leve, enquanto o aço inoxidável é mais resistente e durável.
  • Segurança: Verifique se a panela possui sistemas de segurança, como válvulas e travas. Isso é essencial para prevenir acidentes.
  • Certificações: Escolha panelas que possuam certificação de qualidade e atendam aos padrões de segurança. Isso garante a compra de um produto confiável.
  • Marca: Opte por marcas reconhecidas no mercado, que ofereçam garantia e suporte ao cliente. Isso proporciona mais tranquilidade na hora da compra.

Cuidados com a panela de pressão

  • Checar a vedação: Antes de usar, verifique se a vedação da panela está em bom estado. Uma vedação danificada pode comprometer a segurança durante o cozimento.
  • Limpeza regular: Após cada uso, lave cuidadosamente a panela de pressão por dentro e por fora para evitar o acúmulo de resíduos de alimentos. Não se esqueça de limpar as válvulas de segurança e a junta de vedação.
  • Evitar obstruções: Mantenha as válvulas de segurança e os orifícios de liberação de vapor sempre limpos e desobstruídos. Isso ajuda a garantir o funcionamento adequado da panela durante o cozimento.
  • Evitar o superaquecimento: Não encha a panela de pressão até a borda máxima e evite cozinhar abundantemente de alimentos densos ou espessos, o que pode causar superaquecimento e aumentar o risco de acidentes.
  • Seguir as instruções do fabricante: Sempre siga as instruções específicas do fabricante ao usar sua panela de pressão. Cada modelo pode ter características e requisitos diferentes.
  • Substituir peças desgastadas: Se notar sinais de desgaste em peças como a vedação de borracha ou as válvulas de segurança, substitua-as imediatamente para garantir a segurança durante o uso.
  • Manter a manutenção em dia: Faça manutenções regulares na panela de pressão, como verificar e substituir a vedação de borracha conforme necessário, para garantir seu funcionamento adequado e seguro.

Seguindo essas orientações simples, você poderá desfrutar dos benefícios da panela de pressão com segurança e tranquilidade, preparando refeições saborosas de forma rápida, segura e eficiente.

Veja também 6 dicas para perder o medo da panela de pressão e torná-la aliado na cozinha!

Oktoberfest: saiba mais sobre a festa alemã!


A Oktoberfest é um festival da cultura alemã que acontece todo ano nos meses de setembro e outubro em diversos lugares do mundo. Aqui no Brasil a tradição começou em 1978 e dura até hoje em diversas cidades do sul e sudeste brasileiro. 

E mesmo sendo bem tradicional e famosa, essa festa ainda é bem desconhecida por algumas pessoas. Por isso, o AnaMaria Receitas te conta tudo o que você precisa saber antes de ir à Oktoberfest!

De onde veio a Oktoberfest?

Um dos festivais folclóricos mais famosos do mundo começou em 1810 com o casamento do então príncipe Ludwig I, na cidade de Munique. Na época, a cidade toda foi chamada para o evento que, tão amado por tantos, passou a acontecer anualmente nos meses de setembro e outubro. 

Na tradução alemã, Oktoberfest significa Festival de Outubro, mesmo que a festa tradicionalmente comece no final de setembro. Hoje, Munique recebe cerca de 5 milhões de turistas em seu festival, mas a segunda maior comemoração do mundo acontece aqui no Brasil.

Inclusive, a Oktoberfest chegou em terras tupiniquins com a imigração alemã e a primeira edição brasileira foi em 1978 em Santa Catarina. Antigamente o festival acontecia apenas na região sul do Brasil, onde a imigração alemã era maior, mas há seis anos São Paulo começou a fazer sua própria edição da festa. 

O que acontece no festival?

Tipicamente a Oktoberfest é conhecida por sua quantidade inacreditável de cerveja servida e consumida, mas o festival vai muito além disso. Com um visual folclórico, a festa celebra a cultura germânica com danças, músicas, cervejas e comidas tradicionais. 

Inclusive, a gastronomia é uma das partes mais importantes do festival. Em Blumenau, por exemplo, ano passado foram mais de 150 pratos tradicionais servidos no evento. Um verdadeiro banquete a céu aberto, não é mesmo? Não é atoa que a Oktoberfest  de Blumenau é o segundo maior festival alemão do mundo – só perde para a de Munique, é claro. 

Então, se quiser aproveitar um festival cheio de culinária alemã, não deixe de conferir a Oktoberfest mais perto de você. Prove pratos deliciosos como o Strudel, Spatzel, Joelho de Porco e o Curry Wurst. Além de muitas cervejas e atrações tradicionais alemãs!

Aprenda a fazer macarrão de beterraba!


Acho que todo mundo é fã de macarrão, né? Um prato bem fácil e prático de fazer além de ser incrivelmente saboroso. É a melhor escolha para almoços em família ou até aquela refeição rápida quando não há muitas outras opções em jogo. Mas você já experimentou o macarrão de beterraba?

Para quem quiser tornar essa receita ainda mais nutritiva, você pode usar a massa do macarrão de abobrinha! Assim, esse prato se torna uma opção valiosa para quem faz dieta e está no processo de emagrecimento. Também pode ser interessante para diversificar a rotina de comidas entediantes. 

Confira o passo a passo e você verá como é simples escolher uma opção saudável no seu dia a dia. Além de tudo, esse prato pode ser consumido quente, mas também é uma versão diferenciada de salada. Já está na hora de você ter um prato coringa desses no seu repertório. Veja a seguir!

Receita de macarrão de beterraba

Um prato diferente, saboroso, saudável e muito fácil de preparar. Você não ficará de fora, né? 

Ingredientes

400 g de massa longa tipo espaguete

1 beterraba grande cortada em fios  (dica: ela é encontrada pronta em supermercados) 

1/2 xícara (chá) de azeite

Sal e pimenta-do-reino a gosto

2 colheres (sopa) de salsa picada

1 xícara (chá) de mussarela cortada em cubos

Modo de preparo

Comece preparando o espaguete al dente. Desligue o fogo e acrescente a beterraba à água ainda com a massa. Misture rapidamente e escorra em seguida.

Feito isso, aqueça o azeite e doure o alho em uma panela. Misture o espaguete e a beterraba escorridos. Tempere com sal, pimenta e a salsa. Misture os cubos de mussarela. Transfira para uma travessa e sirva.

Receita de macarrão de abobrinha

Macarrão feito de abobrinha do AnaMaria Receitas
Macarrão feito de abobrinha do AnaMaria Receitas

E, para quem quiser deixar esse prato ainda mais diferente, una essas duas receitas e faça uma misturinha maluca (e deliciosa)! 

Ingredientes

3 Abobrinhas italianas

4 colheres (sopa) de azeite

1 Cebola em cubos

3 Tomates, sem pele e sem sementes, em cubos

Sal, pimenta-do-reino moída e orégano fresco a gosto

1/2 xícara de folhas de manjericão picadas

Modo de preparo

Corte a abobrinha em fatias bem finas no sentido do comprimento com uma mandolina (tipo de ralador). Depois, corte-as em tirinhas, como se fossem os fios de macarrão. Reserve.

Numa panela grande, aqueça uma colher de sopa de azeite e doure a cebola. Acrescente metade do alho e o tomate. Refogue e reserve.

Coloque a abobrinha reservada junto à panela do macarrão de beterraba. Refogue bem e transfira tudo para um prato. Cubra com o molho e decore com o manjericão. Sirva em seguida.

O molho de tomate junto ao queijo é uma combinação saborosa. No entanto, se for comer como salada talvez não seja uma boa ideia usar o molho de tomate gelado, afinal, o sabor pode mudar.

Temperar o chocolate: o que é, para que serve e como fazer?


Quando falamos de temperos, logo imaginamos diversos tipos de folhas, sal, pimenta, alho, cebola… Mas o tempero do chocolate é bem diferente. Ele está totalmente ligado à temperatura do doce, ou seja, a temperagem do chocolate nada mais é do que derrete-lo e resfriá-lo de maneira segura. 

Esse processo é feito unicamente para derreter o chocolate e torná-lo moldável. Ou seja, sabe quando derretemos o chocolate para transformá-lo em ovo de páscoa? Se fizermos isso sem tomar cuidado com a temperatura do doce, ele pode endurecer, perder o sabor e a textura e ficar sem graça, acabando com o glamour do prato. 

Por isso, essa execução envolve alguns padrões e serve apenas para chocolates puros, ou seja, aqueles feitos a base de manteiga de cacau. E, para alcançar a excelência, você vai precisar utilizar um termômetro de cozinha e medir a temperatura do doce. Mas não se desespere, a seguir o AnaMaria Receitas te mostra como alcançar o sucesso na temperagem!

Como temperar o chocolate no micro-ondas?

Você vai precisar de: 

  • um termômetro culinário
  • um recipiente que possa ir no micro-ondas
  • espátulas
  • chocolate picado e formas de acordo com a receita
Chocolate temperado no mármore]
Chocolate temperado no mármore/Foto: Pixabay

Passo a passo:

1º passo: Coloque o chocolate picado no recipiente e leve ao micro-ondas por 30 segundos. Pare e mexa o chocolate. Repita o processo e o tempo novamente, depois pare para mexer. 

2° passo: Coloque por mais 15 segundos no micro-ondas, pare e mexa. Com a ajuda do termômetro, confira se a temperatura do doce é 45°C. Se ainda estiver abaixo de 45, coloque o doce por mais 5 segundos no micro-ondas, mas cuidado para não queimar! Sempre mexa antes de medir a temperatura. 

3° passo: Agora precisamos resfriá-lo. A temperatura perfeita pode variar de 27 a 30ºC, dependendo do chocolate. O importante é não deixá-lo endurecer, se isso acontecer volte ao micro-ondas. Para resfriar você vai precisar derramar o doce derretido em um balcão de pedra e espalhá-lo com a ajuda da espátula. Faça uma fina camada de chocolate e meça a temperatura. 

4° passo: Se você utilizou 27°C como temperatura ideal, coloque o chocolate no recipiente e leve-o novamente para o micro-ondas por mais 5 segundos só para garantir. Agora é só passar para a forma de bombom, barra de chocolate, ovo de páscoa, o que for. Tire o excesso do chocolate com a ajuda da espátula e bata na forma algumas vezes para ter certeza que não há nenhuma bolha de ar no seu chocolate. 

5° passo: Deixe o chocolate endurecer em temperatura ambiente e alguns minutinhos na geladeira. Quando a superfície da forma estiver inteiramente opaca, o chocolate está pronto para desgrudar da forma. Diferente do derretimento comum, o chocolate temperado é desenformado com mais facilidade. 

Veja as dicas do AnaMaria Receitas para preservar o seu chocolate sem perder o sabor e a textura!

Diferentes chocolates, diferentes temperaturas!

Poucos sabem, mas, dependendo do chocolate, o processo de temperar requer temperaturas diferentes. Isso porque, como cada um tem sua formulação química – principalmente relacionado à quantidade de manteiga de cacau – as temperaturas mudam. 

O chocolate branco derrete mais fácil do que os outros. Isso significa que, na hora de aquecê-lo, tenha mais cuidado para não queimar e se quiser usar uma temperatura inferior a 45°C (como 44 a 42), você provavelmente obterá o mesmo resultado. 

Da mesma forma, ao resfriá-lo na pedra, a temperatura dele varia de 27 a 29°C, geralmente se adaptando melhor a temperaturas mais baixas. Diferente do chocolate amargo e meio amargo. O resfriamento dele normalmente varia de 29 a 32°C. Ao temperar nessa média o seu chocolate deve funcionar perfeitamente para as receitas. 

Por fim, o chocolate ao leite funciona melhor nas temperaturas medianas. De 28°C a 29°C, é onde ele funciona melhor, nem muito quente nem muito frio. Lembre-se de usar apenas chocolates feitos à base de manteiga de cacau, sem gordura hidrogenada. 

Agora suas receitas de bombom, ovos de páscoa, bolachas para bolo, barras de chocolate vão ficar perfeitas! É um processo supersimples e pode ser feito com até 3 dias de antecedência do consumo.

Entenda a importância do álcool na gastronomia


O álcool é uma bebida milenar e durante séculos foi consumida pelas pessoas por diversos motivos que vão de rituais religiosos até como forma de medicamentos no Egito Antigo. Ainda hoje o álcool é usado nas mais diversas oportunidades: festas, jantares, churrascos, praia, quando estamos tristes ou felizes, tudo parece ser um bom motivo para tomarmos um drink com amigos, família e, às vezes, sozinhos. 

Já na gastronomia, o álcool é usado para diversas modalidades, tanto para acompanhar os pratos ou até no preparo deles. Veja com o AnaMaria Receitas como o álcool se apresenta na gastronomia e a importância dele no sabor dos alimentos! 

O álcool ao longo da história

Usando como base um artigo produzido pela Universidade Federal do Ceará¹, o processo de fermentação para a produção de bebidas alcoólicas é utilizado há mais de 30 mil anos. Alguns documentos constatam que a fermentação de cereais para a fabricação de cerveja ocorre desde 8000 a.C, aproximadamente. Ainda ousam dizer que muito provavelmente eles entenderam o processo de fermentação alcoólica por acidente durante a produção de pães. 

Avançando na linha do tempo, durante a queda da civilização egípcia antiga e a chegada do império romano, o vinho surge dominando o gosto da alta classe. Uma fermentação de uvas que, por causa de insumos caros, teve seu consumo reduzido durante os anos, documentados apenas dentre as classes mais altas da sociedade e a realeza. 

Após isso, cada país teve a sua “descoberta” e aprimoração na produção de bebidas alcoólicas. O rum, a vodka e o whiskey, por exemplo, foram desenvolvidos em Barbados, Rússia e Escócia, respectivamente em datas diferentes.  

A revolução industrial foi o que colocou a bebida alcoólica nas casas comuns. Graças à produção em massa, o valor dos produtos começou a reduzir e assim as pessoas tiveram acesso às biritas. Isso, associado com a pasteurização inventada por Louis Pasteur que permitiu o armazenamento das bebidas por mais tempo, levou à popularização do álcool no mundo.

Com isso, o consumo de álcool foi se alastrando. Tanto como acompanhamento de pratos quanto como ingrediente, aprimorando o sabor das comidas e abrindo novas portas para a gastronomia. 

Álcool, textura e aroma

Na gastronomia, as bebidas alcoólicas são utilizadas para realçar o sabor dos ingredientes no prato. Por exemplo, quando preparamos um penne alla vodka, o álcool é utilizado para dar mais sabor às pimentas do molho. Porém, na utilização de uma bebida mais escura, no caso o vinho tinto, também pode incrementar na textura do prato. 

Em entrevista com a revista gastronômica Michelin, o renomado chef Gabriel Kreuther explicou: “É realmente o líquido que importa quando usamos a bebida alcoólica. Quando você elimina o álcool, dá mais corpo ao vinho”. 

Como o sabor do vinho será realçado depois de reduzi-lo (eliminar o álcool), a qualidade do vinho importa. Isso conta para todas as bebidas alcoólicas, então na hora de colocar vinho, vodka, whisky, conhaque, o que for, pense que as opções de menor qualidade (nem sempre a de menor preço) podem alterar o sabor do produto final. 

Modos de preparo

Diversos modos de preparo/ Foto: Pixabay

Existem diversas maneiras de explorar as bebidas alcóolicas na gastronomia. O mais utilizado são os vinhos, tanto o tinto quanto o branco. Mas eles têm propostas diferentes: o branco, por ser mais leve, conseguem elevar o sabor de carnes leves, peixes, frutos do mar e vegetais. Já o tinto pode ser utilizado em carnes mais pesadas, inclusive, eles melhoram o sabor delas para o nosso paladar tornando-as mais suaves.

 Ambos também são utilizados em risotos, para realçar o sabor e liberar o amido dos grãos, tornando o prato ainda mais cremoso. Outro uso é em molhos para carnes, o que confere a acidez e o adocicado do prato. 

Temos também molhos à base de whisky ou cerveja. Assim como o vinho, eles realçam o açúcar do molho, tornando o prato mais saboroso. Mas eles reagem de maneiras distintas, como o whisky tem uma concentração maior de álcool, é importante uma dosagem correta para não tomar todo o sabor. 

Outros processos como a flambagem geralmente utiliza-se o conhaque, uísque, rum ou a cachaça. A bebida é colocada numa concha de metal de cabo longo e levada para aquecer ao fogo. Ela é jogada depois em chamas sobre o prato. Isso serve tanto para a apresentação quanto para realçar o sabor. 

Faça em casa!

Não seria AnaMaria Receitas se não tivéssemos algumas sugestões de pratos com bebidas alcoólicas para você fazer na sua casa, né? Sabemos que ninguém aqui é chef de cozinha profissional então nada de receitas complexas. O importante é aproveitar o sabor e aprender a aprimorar suas técnicas culinárias de maneira fácil e deliciosa!

Carne seca com cerveja

Cubos de carne-seca com cerveja na pressão
Cubos de carne-seca com cerveja na pressão

Pera ao vinho

Pêra ao vinho
Pera ao Vinho

Purê de banana flambada

Purê de banana flambada
Purê de banana flambada

Risoto de camarão

Risoto de Camarão
Risoto de camarao

Fraldinha assada no molho de vinho

Foto de Fraldinha assada ao molho de vinho
Foto de Fraldinha assada ao molho de vinho

 

 

 

 

Chef comenta desafios e privilégios da gastronomia profissional


Vivemos indo em restaurantes e aproveitando cada mordida da comida preparada por chefs sensacionais. Seja em lugares grandes ou até aquele negócio familiar perto da sua casa, sempre tem um bom cozinheiro por trás das comidas. Mas você já imaginou como é a realidade da gastronomia profissional?

O chef de cozinha é o responsável por planejar e elaborar cardápios, administrar todas as atividades e supervisionar o trabalho de todos os seus assistentes. Ele coloca todo seu conhecimento em jogo e contribui para fazer tanto a comida quanto sua cozinha serem perfeitas!

E, com a ajuda do chef do restaurante Sartoni Steakhouse, Fabrício Paiva, o AnaMaria Receitas conseguiu entender um pouco melhor a carreira na culinária, entre cursos, desafios e premiações. Vem com a gente conhecer mais um pouco da profissão!

Por onde começamos?

Assim como a maioria das profissões, o gosto pela gastronomia geralmente começa em casa. Muitos chefs passam a infância e a adolescência na cozinha com a família e passam a conhecer mais sobre o mundo da culinária por conta própria. 

Entretanto, para ser um cozinheiro profissional, é necessário bastante estudo. Existem diversos cursos profissionalizantes que preparam os alunos para a vida numa cozinha de verdade. Os currículos geralmente são bem vastos e vão desde as técnicas básicas da culinária até fundamentos da economia.

E é durante esses cursos que os chefs definem em que área da culinária seguir. Afinal, o trabalho do chef Fabrício com as carnes é bem diferente do trabalho de um confeiteiro, por exemplo, então é bem importante se especializar em um ramo da culinária. 

O estagiário da cozinha

A partir disso, o cozinheiro já pode trabalhar em uma cozinha. Mas não vá achando que já começa sendo chef! Muitos passam primeiro pela pia, lavando os pratos do restaurante, um trabalho bem necessário e que te prepara para seguir a carga horária do restaurante. Também existem trabalhos secundários na cozinha como o de auxiliar e de segundo cozinheiro.

E conforme o cozinheiro constrói sua experiência de trabalho e estudos, o caminho para se tornar chef é bem natural. Mas é importantíssimo dedicar-se ao trabalho, construindo novos pratos e melhorando os que já existem. Esse é um dos desafios da gastronomia. 

Como o chef de cozinha trabalha? Foto: Pixabay

Os desafios na gastronomia

Poucos percebem, mas trabalhar na cozinha profissional pode ser bem cansativo. O tempo de trabalho parece ser o desafio mais óbvio, afinal, quando você vai a um restaurante nos finais de semana e feriados tem sempre alguém trabalhando para colocar comida na sua mesa. “A dedicação de horas, na minha visão, é o mais sacrificante”, comenta o chef Fabrício. 

Essa dedicação intensa a todo tempo faz com que eventos familiares e entre amigos fiquem em segundo plano. Fabrício conta que é importante saber se você está pronto para sacrificar esses momentos.  

Fora isso, trabalhar em restaurantes não é uma tarefa fácil. Dependendo da cozinha, os chefs ficam em pé durante o turno todo, com alguns momentos livres para ir ao banheiro. O chef dá o exemplo das pessoas que lavam os pratos (os “estagiários” da cozinha): “Você vai ficar 8 horas esfregando o prato e vai conseguir tirar 5 minutos para ir no banheiro e 10 minutos para comer porque é loucura”. Claro que existem dias mais calmos, mas no geral, é uma rotina bem mais pesada do que os trabalhos mais convencionais.

Para além da comida

Além de saber cozinhar, o chef de cozinha deve ter outras habilidades para que o restaurante funcione bem. O primeiro de tudo é a liderança. O chef lidera a organização de tarefas e dos pratos que devem ser enviados aos clientes e, se isso não for feito de forma coordenada, vai tudo por água abaixo. 

E essa liderança não deve ser apenas profissional, tá? Um bom líder consegue manter a calma em momentos de crise, o que é importantíssimo para que o ambiente de trabalho não se torne tóxico e pesado para os outros cozinheiros. 

A cozinha realmente pode ser pesada quando o assunto é saúde mental. A pressão de fazer tudo perfeitamente no tempo certo com pessoas dependendo de você, não é fácil. Cada cozinha é uma e, no caso de Fabrício, a cooperação é o que faz o restaurante dele ser mais tranquilo nesse aspecto. “Para entregar um produto de qualidade com velocidade precisa de muito psicológico mesmo. Isso é o que a gente mais trabalha na equipe pra todo mundo ajudar todo mundo”. 

Ele também diz que gritos e brigas não ajudam em nada e, pelo contrário, pode apenas piorar a integridade da equipe. Por isso, para ele, é muito importante que o chef enxergue a pessoa por trás do avental, assim todo mundo se ajuda e o trabalho flui melhor. 

A beleza por trás do caos

Um lugar que parece ser tão exaustivo também tem suas recompensas. Obviamente existem prêmios e certificados que todo restaurante e chef sonham em ganhar. Fabrício Paiva, por exemplo, ganhou primeiro lugar no festival gastronômico de Juiz de Fora, “JF Sabor”. Mas, fora isso, o chef diz que ver alguém realmente amar sua comida não tem preço. “Ver que tudo deu certo no final do dia tira praticamente 50% do cansaço”, afirma.

Não tem como aguentar a rotina dura da cozinha profissional sem ver beleza nisso. Para os chefs, a comida é muito mais do que o alimento e com certeza é esse sentimento que os fazem querer melhorar e descobrir coisas novas no ramo culinário. 

E você? Já pensou em trabalhar com gastronomia profissional?

 

Dia das mulheres: lugar de mulher é na cozinha?


Nas últimas décadas, as mulheres vêm alcançando lugares de destaque, seja na política, nas empresas ou até mesmo nas ruas, exigindo direitos básicos e igualitários. No entanto, algo que pouco se fala é o destaque feminino na cozinha profissional, ironicamente um espaço que alguns diriam ser o “lugar da mulher”. Mas, então, se a base da “feminilidade” está na cozinha, por que a culinária profissional é tão limitada para as mulheres?

Existem muitos motivos para não vermos mulheres no topo da pirâmide do mercado de trabalho. Um deles é a hostilidade em conjunto com o assédio moral e sexual presente nesses ambientes. Dentro da cozinha não é diferente, de acordo com os dados presentes no artigo “Lugar de mulher é na cozinha: confissões femininas sobre o universo gastronômico” as 12 chefs entrevistadas já sofreram algum tipo de assédio moral ou sexual dentro do ambiente de trabalho. Por mais que haja mudanças nesse cenário, ainda é um processo lento que coloca centenas de mulheres em situações problemáticas. 

Outro ponto a ser levantado é sobre os estereótipos associados à imagem feminina. Isto é, enquanto os homens são vistos como seres racionais e profissionais, mulheres são extremamente sensíveis e fracas, incapazes de enfrentar ambientes de trabalhos pesados, como a cozinha profissional. É claro que é necessário entender que a cozinha profissional é um lugar que exige muito de todos que estão ali, mas isso não deveria fazer ela ser um lugar hostil especificamente para as mulheres. 

Ainda sobre essa discriminação, outro problema a ser apontado é a falta de reconhecimento dentro da cozinha profissional. Em avaliações e críticas de restaurantes, os pratos feitos por mulheres remetem ao “gosto de casa” ou “comida da avó”, o que não é ruim, mas perde toda a credibilidade quando comparado ao prato “inovador”, “moderno” ou “ousado” dos chefs do gênero masculino. Isso é apenas outra forma de como as mulheres não são vistas como profissionais sérias e dedicadas dentro do ambiente gastronômico. 

dia das mulheresComparação de pesquisa “homem cozinhando” e “mulher cozinhando”. Fotos: Piaxabay

Apesar de ser um problema estrutural da sociedade brasileira, há maneiras de melhorar essa situação e empoderar a presença feminina nesses espaços limitados. Que tal prestigiar restaurantes chefiados por mulheres? Algumas referências como Andressa Cabral, Bela Gil, Helena Rizzo, Carla Pernambuco, Janaína Rueda e Cafira Foz são exemplos da culinária no Brasil. A representatividade é crucial para desconstruir a desigualdade de gênero. 

Feliz dia das mulheres, e sim, lugar de mulher pode ser na cozinha, se ela quiser!