Cozinhar pode te salvar da ansiedade e depressão; Saiba mais


A culinária é uma mistura de arte, técnica e criatividade. Escolher os ingredientes com carinho, cortá-los, temperá-los e combiná-los para que resultem em pratos incríveis. Tudo isso pode ser uma ferramenta poderosa para desenvolver habilidades necessárias no dia a dia. É comum existir uma forte relação emocional entre quem cozinha e o preparo das refeições. Essa é a definição da cozinha terapêutica, uma aliada para combater problemas como o estresse, a ansiedade e até depressão. 

Cozinha terapeutica - Reprodução - Getty Images
Cozinha terapêutica – Reprodução – Getty Images

 

De acordo com um estudo publicado no The Journal of Positive Psychology, cozinhar está entre a lista de atividades criativas que ajudam a combater a depressão e a ansiedade. A pesquisa foi resultado de uma parceria entre as universidades de Otago (Nova Zelândia), Carolina do Norte e Minnesota (EUA). A gastronomia é responsável por promover o bem-estar e o autoconhecimento. 

Nos EUA existem terapias recomendadas por profissionais da saúde psicológica que promovem cursos e atividades de cozinha pensados para pacientes com diferentes problemas. Esta atividade ajuda a combater a depressão e é um método eficaz contra o estresse e a ansiedade. É o caso do Programa Culinário da Newport Academy, em Bethlehem, Connecticut.  

Concentrar-se no preparo dos alimentos pode ser uma verdadeira forma de meditação. Andrea Levy, psicóloga e presidente da ONG Obesidade Brasil, diz que cozinhar envolve vários fatores: “Cozinhar é planejamento. É algo que a gente prioriza no tratamento da ansiedade. Então priorizar o que você vai colocar na comida, os temperos, a quantidade, tudo isso ajuda no planejamento de algo.” A especialista completa dizendo que a organização é uma das formas de deixar a pessoa menos ansiosa. “Desde as compras até a comida pronta na mesa pode ajudar a melhorar sua autoestima e ajudar na ansiedade”, garante.

Ato de cozinhar - Reprodução: Getty Images
Ato de cozinhar – Reprodução: Getty Images

 

Confira alguns dos benefícios da cozinha terapêutica:

Criatividade: Experimentar combinações de ingredientes, dar aquele toque especial em uma receita tradicional, tudo isso estimula seu lado criativo. São hábitos que lhe fazem ousar, se divertir e tornam essa tarefa cotidiana algo leve e prazeroso.

Dar tempo ao tempo: A cozinha nos ensina que tudo tem tempo para ser realizado e que precisa ser respeitado. 

Colaboração: É um trabalho em equipe. Dividir as tarefas, ajudar o outro no processo, estimula a colaboração e deixa uma boa sensação de algo construído coletivamente. 

No fim, cozinhar é um convite a desacelerar um pouco a vida e prestar atenção à sua volta. Cozinhar nos tira daquele estado mental de preocupações, previsões, medos, ressentimentos e todos os pensamentos que permitimos circular em nossa cabeça sem nem perceber. E você, já cozinhou hoje?

 

Temperos que protegem o cérebro contra transtornos e doenças


Não é novidade que as ervas açafrão e cúrcuma são tradicionalmente usadas como especiarias na culinária. Mas, além de atribuir sabor aos pratos, esses temperos também possuem funções protetoras contra esclerose múltipla, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, depressão, ansiedade, entre outras patologias, segundo estudos publicados no Journal of Traditional and Complementary Medicine e no National Center for Biotechnology Information.

Com base nos estudos sobre esses temperos, Paula Molari Abdo, farmacêutica pela USP, explica ao AnaMaria Receitas essa relação e como os ativos agem no organismo:

AÇAFRÃO

O açafrão é muito cultivado no Irã, na Índia e Grécia. O que poucos sabem é que o açafrão é o estigma de uma flor, da planta Crocus sativus. Cada flor dessas tem só três estigmas, sendo que, para obter 1 kg da especiaria, são necessárias cerca de 75 mil flores. Por isso, o açafrão é um dos temperos mais caros.

Seus componentes incluem picrocrocina, safranal, crocina e crocetina, substâncias químicas que agem como antioxidantes e coletores seletivos de radicais livres. Suas propriedades previnem quadros de depressão leve a moderada, ansiedade, distúrbios cognitivos e do sono. Segundo os estudos, a eficácia é comparável aos antidepressivos tradicionais.

A crocina também pode gerar efeito calmante nos neurotransmissores cerebrais, proporcionando maior capacidade de concentração. Além disso, o açafrão é uma fonte rica em riboflavina, a vitamina B2, sendo uma aliada para indivíduos propensos à enxaqueca.

Como pode ser usado

O açafrão é uma especiaria comum na culinária mediterrânea, usada especialmente na paella, prato típico espanhol. Também pode temperar arroz, caldos e massas. No Brasil, por ser um produto considerado caro, é bastante substituído por flores de calêndula e cártamo, que possuem propriedades semelhantes.

CÚRCUMA

Trata-se de um caule subterrâneo de origem asiática, da família do gengibre, também conhecido como açafrão-da-terra ou gengibre amarelo, cujo nome científico é Curcuma longa L.

Os compostos de curcuminoides (curcumina, desmetoxicurcumina e bisdesmetoxicurcumina) são polifenóis com efeitos anti-inflamatórios capazes de aumentar os níveis de dopamina e de hormônios que protegem o cérebro contra isquemias e doenças neurodegenerativas, como esclerose múltipla, Parkinson e Alzheimer.

Um estudo realizado pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, confirma que a curcumina pode ajudar a eliminar as estruturas associadas ao Alzheimer no cérebro. “A Curcuma longa L. age no Sistema Nervoso Central, tendo a curcumina como principal responsável pela ação neuroprotetora e antioxidante, atuando também nos quadros de depressão e ansiedade crônica”, reforça Paula Molari.

Como pode ser usada

Popularmente utilizada na culinária, sendo um dos ingredientes do curry, a cúrcuma possui um óleo rico em sesquiterpenos oxigenados que dá a característica aromática da planta (picante). Pode ser consumida em saladas, chás e cozidos.

No entanto, a curcumina, principal componente da cúrcuma, é pouco absorvida pelo organismo. Para otimizar a absorção, o ideal é combinar a cúrcuma com piperina (um extrato de pimenta preta). Segundo uma pesquisa publicada no Healthline, a piperina aumenta a absorção de curcumina no corpo em até 2.000%.

Para obter os benefícios, tome 1.500 mg de curcumina e 15-20 mg de piperina por dia. Além disso, a curcumina e os curcuminóides podem ser extraídos e consumidos como suplementos, proporcionando uma eficácia maior do que a cúrcuma isolada.

“Independentemente do ativo, lembre-se que é fundamental haver uma orientação médica para o consumo de alimentos e suplementos com fins terapêuticos”, alerta Paula Molari Abdo.