Como identificar se a comida estragou?


Para identificar se alguma comida está estragada, o mais comum é recorrermos ao teste do nariz, ou seja, cheirar o alimento e verificar se o seu odor está alterado. Outra possibilidade é verificar sua aparência e textura, visando identificar alguma alteração. No entanto, nem sempre podemos confiar nesses métodos, visto que bactérias que causam doenças, muitas vezes, não provocam odor ou aparência alterada. E, em alguns casos, é necessário levar em conta outras características antes de consumir alguns alimentos. 

Para te ajudar a evitar contaminações com alimentos estragados, o AnaMaria Receitas vai te dar algumas dicas para verificar se eles estão, mesmo, próprios para consumo. Veja os alimentos mais comuns do nosso dia a dia e aprenda a se prevenir na sequência!

Arroz e feijão

Se existe uma combinação queridinha dos brasileiros, esta é o arroz com feijão. Como consumimos bastante, é importante saber quando eles estragaram e não podem ser consumidos. Especificamente no caso do arroz e feijão, a melhor maneira para identificar a contaminação é pelo cheiro.

Esses alimentos costumam exalar um odor azedo, indicando que estão estragados. No entanto, antes mesmo de ficarem com esse cheiro, já é possível que exista contaminação ali. Exatamente por isso, devem ser mantidos sob refrigeração de 4 °C (a temperatura da geladeira) por, no máximo, três dias.

Carnes

Um dos alimentos que mais devemos tomar cuidado são as carnes. Quando cruas, elas possuem alto potencial de contaminação. Para verificar sinais de que algo está errado, analise o cheiro e a cor, que não deve estar amarronzada e, muito menos, esverdeada.

De forma geral, as carnes duram em média até três dias dentro da geladeira. Contudo, se ficarem por horas na temperatura ambiente antes disso, descarte. A regra vale para as carnes cozidas também.

Frutas e legumes

Para verificar contaminação nas frutas e legumes, basta analisar seu exterior, que não pode conter aquela camada branca, esverdeada ou, até mesmo, preta. Além da coloração, verifique sua textura: se o alimento estiver molenga, ele provavelmente passou do ponto.

Leite 

O leite, por ser rico em gorduras e açúcares, é um ambiente perfeito para a proliferação de bactérias que estragam o alimento. Por isso, para verificar se ele estragou, basta analisar se existem grumos, um sinal clássico de que o leite coalhou. Outro alerta é sua cor, que não pode estar amarelada ou esverdeada, além do cheiro azedo.

Ovos

Nada mais decepcionante do que adicionar um ovo estragado na receita e estragar todo o preparo prévio. Por isso, para identificar se o ovo está podre, faça o teste da flutuação: encha um copo ou tigela grande de água. Solte o ovo dentro. Se ele afundar, estará fresco e ideal para ser consumido. Se flutuar, será melhor descartá-lo. Além disso, não consuma o alimento caso esteja com rachaduras. 

Queijo

No caso dos queijos, existem algumas dicas para analisar se está estragado. Primeiro é importante verificar a data de validade, que costuma ser de três dias após aberto. Depois, verifique se existem alterações de odor ou mudança na cor do produto. 

Embutidos

No caso dos embutidos como, presunto, peito de peru, mortadela e outros, se atente a textura do alimento, ou seja, eles não podem estar úmidos ou pegajosos. Além disso, odores estranhos e manchas esverdeadas e pretas indicam deterioração. Outro ponto importante é verificar a data de validade e indicações do fabricante, caso não apareçam alterações visíveis. 

Para além do paladar: comendo com todos os sentidos


Quem nunca julgou um alimento pela sua aparência, textura ou até mesmo o som que ele faz quando mastigamos? Isso é natural do ser humano e está intimamente relacionado com o nosso instinto de sobrevivência animal, ou seja, quando uma fruta está com uma cor estranha ou mole demais sabemos que não está boa para o consumo. Mas nossos sentidos vão muito além disso. Veja a seguir com o AnaMaria Receitas a importância de incluir todos os sentidos na alimentação. 

Nosso paladar tem preferências 

Localizadas na nossa língua, as papilas gustativas são as responsáveis por diferenciar um alimento salgado do doce, azedo, amargo e umami (um gosto específico de certos temperos). Mas as preferências que temos na alimentação não condiz apenas com o gosto da comida. A textura também é uma parte importante. 

Por causa dela, muitas pessoas torcem o nariz ao ver algumas frutas, como mamão ou banana e, por mais que alguns chamam de “paladar infantil”, esse comportamento é perfeitamente normal. O nome correto para essa preferência é seletividade alimentar. Assim como temos gostos musicais ou de filmes, nosso paladar também tem suas manias e jeitos de se adaptar às comidas. Contudo, nos privar de certos alimentos pode ser prejudicial à saúde. 

É natural termos um gosto mais inclinado para o doce durante a infância e estudos comprovam que isso tem a ver com a placenta e o leite materno que naturalmente são adocicados. No entanto, é importante educar nosso paladar desde cedo e aprender a gostar de outros grupos alimentares para que nosso organismo receba todos os nutrientes fundamentais. 

Por isso, precisamos entender se um alimento não nos agrada por causa do sabor ou da textura, afinal, podemos prepará-lo de diversas maneiras e assim incluí-lo no cardápio. Seja por vitaminas de frutas ou legumes cozidos, o importante é manter uma alimentação equilibrada, nutritiva e prazerosa.  

Olfato é um supersentido 

O gosto e o cheiro se complementam. Foto: Pixabay

Seguindo para um sentido que está intimamente ligado ao sabor da comida: o olfato. Ele atua em conjunto com o paladar e faz com que sintamos, em detalhes, o gosto de cada mordida. Isso acontece porque temos muito mais receptores nervosos no nariz e, por isso, sentimos mais sabor quando conseguimos sentir o cheiro.

Além de realçar o sabor, o olfato também pode abrir seu apetite. Quem nunca passou na frente de uma padaria e ficou com vontade de um pão fresco só pelo cheiro? Essa reação é perfeitamente normal, tanto que nosso corpo deixa o olfato mais apurado para que você perceba a fome. Incrível, não?

Mas para além dos gostos, o olfato também é capaz de nos conectar com as comidas de uma forma sentimental. Por exemplo, isso ocorre quando sentimos o cheiro de alguma comida da nossa infância. A razão disso, de acordo com o texto “Os Mistérios do Olfato” da Fapesp, se dá pelo caminho que o cheiro percorre por meio de nossas recepções nervosas e chega ao hipocampo, região do cérebro onde estão nossas emoções e memórias. Dessa forma, o olfato consegue ter uma relação íntima com as lembranças e sentimentos do ser humano e isso torna a alimentação bem mais prazerosa e completa. 

O sexto sentido é cozinhar

Alimentação consciente. Foto: Pixabay

A visão, o tato e a audição também fazem parte do ritual de cada refeição, mesmo que mal percebemos. Sentir o pedaço de pão ao cortá-lo e identificar se está fresco ou amanhecido é um bom exemplo, ou até mesmo quando dizemos que estamos “comendo com os olhos” e “fiquei com fome só de ouvir”. 

Por serem receptores mais “fracos” durante a degustação dos alimentos, é comum ignorá-los. Porém, perceber o que você espera sentir, ver e ouvir durante a refeição é importantíssimo para que a experiência seja completa e bem mais prazerosa. 

Uma forma de fazer com que todos os sentidos se unam é colocando a mão na massa. Cozinhar, além de dar mais autonomia na alimentação, também proporciona um contato bem maior com a comida, fazendo com que a degustação seja apreciada com todos os sentidos do corpo, desde cortar a cenoura até ouvi-la fazer “croc”.

Fora isso, sentir a comida de todas as formas que há é um dos princípios da alimentação consciente. De acordo com o Hospital IGESP (Instituto de Gastroenterologia de São Paulo), o “Mindful Eating” traz benefícios à saúde de forma que nos instiga a fazer escolhas mais espertas nas nossas refeições. Ao prestar atenção no alimento à nossa frente, conseguimos perceber, além de tudo, os efeitos que eles trazem ao corpo, sejam eles positivos ou negativos. 

Por isso, dê uma pausa na TV ou no celular e aprecie a comida completa. Escute o som do queijo fervendo, ou sinta o cheiro do manjericão. Fazer com que seu organismo entenda o alimento como algo além da simples cura para a fome é essencial para uma vida saudável e mais prazerosa.