Dia das mulheres: lugar de mulher é na cozinha?

Sabemos que a sociedade sempre colocou o feminino no cuidado da casa e, consequentemente, na cozinha. Mas será que isso avançou para a culinária profissional? Veja como as mulheres ocupam o cenário gastronômico no Brasil com AnaMaria Receitas.

Nas últimas décadas, as mulheres vêm alcançando lugares de destaque, seja na política, nas empresas ou até mesmo nas ruas, exigindo direitos básicos e igualitários. No entanto, algo que pouco se fala é o destaque feminino na cozinha profissional, ironicamente um espaço que alguns diriam ser o “lugar da mulher”. Mas, então, se a base da “feminilidade” está na cozinha, por que a culinária profissional é tão limitada para as mulheres?

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Existem muitos motivos para não vermos mulheres no topo da pirâmide do mercado de trabalho. Um deles é a hostilidade em conjunto com o assédio moral e sexual presente nesses ambientes. Dentro da cozinha não é diferente, de acordo com os dados presentes no artigo “Lugar de mulher é na cozinha: confissões femininas sobre o universo gastronômico” as 12 chefs entrevistadas já sofreram algum tipo de assédio moral ou sexual dentro do ambiente de trabalho. Por mais que haja mudanças nesse cenário, ainda é um processo lento que coloca centenas de mulheres em situações problemáticas. 

Outro ponto a ser levantado é sobre os estereótipos associados à imagem feminina. Isto é, enquanto os homens são vistos como seres racionais e profissionais, mulheres são extremamente sensíveis e fracas, incapazes de enfrentar ambientes de trabalhos pesados, como a cozinha profissional. É claro que é necessário entender que a cozinha profissional é um lugar que exige muito de todos que estão ali, mas isso não deveria fazer ela ser um lugar hostil especificamente para as mulheres. 

Ainda sobre essa discriminação, outro problema a ser apontado é a falta de reconhecimento dentro da cozinha profissional. Em avaliações e críticas de restaurantes, os pratos feitos por mulheres remetem ao “gosto de casa” ou “comida da avó”, o que não é ruim, mas perde toda a credibilidade quando comparado ao prato “inovador”, “moderno” ou “ousado” dos chefs do gênero masculino. Isso é apenas outra forma de como as mulheres não são vistas como profissionais sérias e dedicadas dentro do ambiente gastronômico. 

dia das mulheresComparação de pesquisa “homem cozinhando” e “mulher cozinhando”. Fotos: Piaxabay

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Apesar de ser um problema estrutural da sociedade brasileira, há maneiras de melhorar essa situação e empoderar a presença feminina nesses espaços limitados. Que tal prestigiar restaurantes chefiados por mulheres? Algumas referências como Andressa Cabral, Bela Gil, Helena Rizzo, Carla Pernambuco, Janaína Rueda e Cafira Foz são exemplos da culinária no Brasil. A representatividade é crucial para desconstruir a desigualdade de gênero. 

Feliz dia das mulheres, e sim, lugar de mulher pode ser na cozinha, se ela quiser!

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