Como nosso cérebro reage a fotos de comidas gostosas, as famosas “food porn”, segundo pesquisadores

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, descobriram o motivo pelo qual sentimos vontade de comidas deliciosas quando vemos alguma foto. Confira!

Pizzas recheadas, batata frita com muito queijo e bacon, lanches gordurosos e doces repletos de recheio. Você provavelmente já se deparou com alguma imagem dessas comidas nas redes sociais, principalmente no Instagram, onde as “food porn”, as famosas comidas “pornográficas”, ganharam força trazendo imagens com alimentos ostentando molhos, texturas e caldas. Essas fotos são de dar água na boca e nos deixam babando, não é mesmo?

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Mas, você sabia que essas fotos causam um efeito em nosso cérebro? Pois é, de acordo com neurocientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, quando nos deparamos com qualquer um desses alimentos, uma parte especializada do seu córtex visual se acende. 

Quer saber mais sobre essa descoberta? O AnaMaria Receitas te conta a seguir! 

O que é “Food porn”?

Antes de tudo, você precisa entender que essas imagens de comidas extremamente atrativas possuem um nome. O conceito de “food porn”, que significa pornografia alimentar, basicamente refere-se a estética bonita do alimento, uma técnica que busca glamourizar a comida visualmente, atraindo olhares e deixando deixar quem se depara com essas fotos, com água na boca. 

Essa técnica foi difundida com o advento das redes sociais, mais especificamente no Instagram, onde as fotos de comidas extremamente abundantes, repleta de molhos, recheios, caldas e texturas se popularizaram. Tanto, que a hashtag #foodporn, atualmente conta com quase 300 milhões de publicações na plataforma.

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Estudo ajuda a entender o significado especial que as comidas possuem para a cultura humana - Foto: Pixabay
Estudo ajuda a entender o significado especial que as comidas possuem para a cultura humana – Foto: Pixabay

O estudo

Quando você está navegando pelas redes sociais e de repente se depara com uma foto de uma pizza extremamente atrativa. Você obviamente para de rolar o feed para apreciar essa foto. Esse movimento pode ser explicado por neurocientistas que estudaram os efeitos que os alimentos causam em nosso cérebro.

Os pesquisadores descobriram no ano passado uma nova população de neurônios de processamento de imagens que são estimulados exclusivamente por imagens de comida. Essa população, que até então não era conhecida, está localizada no córtex visual, a parte do cérebro que processa e interpreta os estímulos enviados pelos olhos, ao lado de outros neurônios que processam especificamente rostos, corpos, lugares e palavras. 

Essa descoberta nos ajuda a entender o significado especial que a comida tem para a cultura humana, dizem os pesquisadores. Isso porque a comida não tem uma relação apenas de sustento para nós, mas também, ela é fundamental para as interações sociais humanas.

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Os dados foram coletados a partir de um método matemático. Para isso, oito pessoas foram analisadas enquanto visualizavam milhares de imagens, através de uma ressonância magnética funcional de cérebro inteiro (fMRI).

O objetivo do estudo, não era descobrir essa nova população de neurônios especificamente. Mas, ao avaliar as já existentes, curiosamente, uma quinta população (de neurônios) também surgiu, e esta parecia ser ativada com imagens de comida. 

“Coisas como maçãs, milho e macarrão parecem tão diferentes umas das outras, mas encontramos uma única população (de neurônios) que responde de maneira semelhante a todos esses diversos itens alimentares”, comentou Meenakshi Khosla, pós-doutorando do MIT, no relatório do estudo.

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Para confirmar se esses neurônios respondiam mesmo à comida, e não a sua forma, os pesquisadores usaram imagens de ítens que não eram alimentares, mas eram semelhantes quanto ao formato. Por exemplo, compararam uma banana com uma lua crescente amarela e até mesmo fotos de chihuahua ao lado de muffins. 

Contudo, ainda podemos esperar mais novidades quanto a esses estudos, pois, agora os cientistas desejam explorar como fatores como familiaridade e gostar ou não gostar de um determinado alimento podem afetar as respostas. Além disso, desejam estudar quando e como essa região do cérebro se especializa durante a primeira infância e quais as outras partes do cérebro ela se comunica.

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